24 novembro 2007

Fábrica de ídolos

A ação de marketing alavanca carreiras de ídolos

Celebridade para mim não é quem aparece em capa de revista ou sai do Big Brother, já dizia um professor da faculdade de comunicação. Segundo o grande mestre, era Celebridade quem realmente tinha algo de genuíno a mostrar, possuía um dom que os destacava do resto da humanidade.

Mas a indústria fonográfica não está preocupada com singularidade, tornou-se uma fábrica de ídolos e, na sua sintonia, os homo débilis se regozijam em meio à fugacidade da carreira de cada boy ou girl band.

A Sex era uma butique de roupas londrinas que se baseava no figurino dos roqueiros dos anos 50. Foi dali que surgiu o movimento punk com os Sex Pitols, em 1975. Depois a dupla Rob Pilatus e Fabrice Morvan ganharam o Grammy de 1990 e venderam 30 milhões de cópias, embalada por “Girl you know it’s true”; a verdade é que os dois não passavam de marionete de seu produtor alemão Frank Farlan.
Aí a televisão embarcou na crista da onda do “Faça você mesmo seu ídolo” e, em 1966, permitiu a gênese dos Monkees a partir do seriado de TV da NBC. O grupo que era dublado por músicos acabou nos palcos e fez frente no rock britânico.

Estes casos servem para ilustrar que não é tendência tupiniquim a fabricação de estrelas com luz artificial, movida a geradores financeiros.

Se eles podem ter Backstreet Boys, Five, N’Sync, as nossas gravadores podem inventar a versão brasileira, de preferência que tenha o mesmo impacto sobre o público como tiveram os Menudos e seus genéricos, Polegar e Dominó. Não faz alguns meses o anúncio no SBT chamava: “Se inscreva para fazer parte do novo grupo Dominó, você não precisa saber cantar, você não precisa saber atuar, você não precisa saber dançar”. Lendo na tecla SAP do afã marketeiro: “Tenha um rostinho bonito e televisivo e esteja disposto a fazer alguns rápidos cursos”.



A única intenção hoje é vender, pegar um filão e colocá-lo dentro da receita palatável para toda a massa. Quer fazer uma banda pop? Coloque alguns rapazes bonitos e rebolativos com um repertório de músicas cheias de efeitos eletrônicas, um toque romântico e rebelde (Sem trocadilhos com Rebelde, se bem que a banda entra no enfoque da discussão) e vista-os com um bom figurino. O estilo é axé? Junte uma morena e uma loira vestidas de micro shorts e dê-lhes canções de refrões fáceis, com um quê de samba-raggae e afoxé, ah, não esqueça de pegar pesado na percussão e teclados.

Quem faz Spice Girls (1994) lá por Londres pode também colocar no palco Rouge aqui, pensaram os produtores. Opa, você nem lembrava mais que elas existiram? Como não, o refrão era tão significativo: “Aserehe ra de re de Hebe tu de hebere seibiunouba mahabi na de bugui na de buididipi”. Se o time está ganhando, não se mexe, mas quem sabe mudar para a versão masculina: “Com vocês os... Brothers. Ih, também caiu no esquecimento?

Britney SpearsA canadense de calça larga e gravata Avril Lavigne (25 milhões de discos vendidos), a lourinha equatoriana Christina Aguilera e Britney Spears e a dupla russa Julia Volkova e Lena Katina têm em comum o mesmo princípio da rebeldia. Abaixo a qualquer moralismo e um viva a liberdade... Mas que liberdade se fala? A canção Dirty de Aguilera explica: “Vamos nos sujar, esta é a minha onda, preciso disso para decolar, suar até que minhas roupas caiam”. Isso mesmo, se der tempo de pousar em um revista masculina e comprar o próprio apartamento, já valeu o sacrifício para muitas pseudo artistas.

Os fãs não estão preocupadas com o ineditismo, ou qualquer blablá acadêmico sobre a profundidade e ideologia das letras das músicas. Só querem ouvir em paz seus mp3/4 e ipods em um som bem alto, tão alto que não os permitam prestar atenção no que acontece por aí, no Senado, na favela, no Amazonas e no Cerrado.

A fábrica de ídolos é apolítica, amoral. It’s just business.

Antes que arrebentem minha cabeça com pedradas, dou minha opinião. Eu gosto de ouvir e dançar ao som das batidas que vos falo aí em cima. Me divirto, esqueço o mundo, é um estágio meio anestésico, diante da realidade estressante. Mas sinto muita falta, porém, quando quero ouvir uma música com letras que se faziam antigamente e nisso tenho muita inveja da geração passada.

Estou escrevendo um romance agora e vivo procurando canções para a trilha sonora. Há vezes em que levo mais tempo em busca de uma música que para escrever o capítulo.


fonte: http://www.trilhasdavidalucyli.blogspot.com/
(Fonte de dados: O Globo Online e Jornal do Brasil)

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